
A xenofobia é um dos fenômenos mais presentes na história e
também um dos mais característicos de nossa sociedade. Em uma definição
mais geral, pode-se dizer que é uma aversão pelo que é diferente, pelo
outro, que geralmente nos assusta com sua alteridade. Mas é também um
termo usado para denominar um transtorno psiquiátrico que gera um medo
excessivo, sem controle algum, ao que é desconhecido – objetos ou
pessoas. Este conceito também se estende, de forma um tanto polêmica, a
qualquer discriminação de ordem racial, grupal – em referência a grupos
minoritários – ou cultural. Esta acepção causa uma certa ausência de
clareza, pois é assim confundida com preconceitos, e nem todos eles são
considerados fobias.
O repúdio a culturas diferentes geralmente traz em sua essência o
ódio, a animosidade, o preconceito, embora este possa provir também de
outras raízes, como opiniões preconcebidas sobre determinados grupos ou
coletividades, por pura falta de informação sobre eles; conflitos
ideológicos que envolvem crenças em atrito, causados por um choque
conceitual; motivações políticas e outros tantos fatores. É polêmico,
porém, em alguns casos, definir se há preconceito ou xenofobia, como no
episódio do Nazismo.
Este fato histórico envolveu grupos e culturas diferentes, violência
desenfreada, crimes hediondos, desencadeados por um grupo que se
encontrava no poder na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial,
contra pessoas que eles julgavam diferentes e inferiores. Estes
indivíduos não foram apenas mortos, mas torturados, manipulados
geneticamente, utilizados como cobaias em experiências terríveis, o que
descarta a presença apenas de fatores político-sociais, e dão a este
acontecimento um caráter doentio.
Hoje, nos Estados Unidos e na Europa, há um retorno da intolerância,
principalmente contra os estrangeiros, e um certo avanço de um
movimento que se denomina de neofascismo, com a eleição de partidos de
extrema direita. Também se ouve falar, inclusive no Brasil, na
constituição de novos grupos que se auto-intitulam neonazistas. A esses
fenômenos os pesquisadores sociais costumam chamar de xenofobia, no seu
sentido mais amplo. Mas não é complicado perceber nestes fenômenos
fatores mais sociais, políticos, econômicos, do que psíquicos, embora
não seja difícil atribuir aos mecanismos sociais mais recentes um
componente de certa forma patológico.
Em seu sentido mais restrito, a xenofobia tem como principal sintoma
um medo descomedido e desequilibrado do desconhecido. Exclui-se assim o
temor em seu aspecto natural. Deste ponto de vista, ela é considerada
uma doença, causada por uma ansiedade de teor significativo,
desencadeada após um período de exposição a um contexto ou a um objeto
desconhecido e, por isso mesmo, assustador. As pessoas que apresentam
traços tenazes de terror irracional e passam a evitar situações que
consideram arriscadas, podem inclusive ser suscetíveis a uma crise de
pânico. Com estes sintomas, o indivíduo tem sua rotina alterada e até
mesmo prejudicada.